“(…) sei lá, seilá, a vida tem sempre razão (…)”

Vinícius já dizia, tem coisas que só a vida para entender. Mas mesmo não entendendo, tem certas coisas que que a gente acredita e vai em frente, seguindo nossas intuição e nosso caminho.

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A minha história com o Linux, Blender e Software Livre segue um pouco este princípio. Quando eu comecei a mexer com Linux (na época o Conectiva 3.0), eu achava isto tudo muito interessante, porém um pouco solitário.

Eu não conhecia muita gente que mexesse com essa parte da informática, então nunca tive com quem trocar minhas curiosidades e experiências.

Mesmo assim, a idéia de liberdade – de informação, de criação, de trabalho – me encantou tanto, que por si só me motivou a ir em frente continuar estudando e me preparando para o que viesse.

E assim fui me familiarizando com Linux, GIMP, Inkscape, Blender, …

Bom, quando eu comecei a estudar arquitetura, resolvi revisitar os programas que eu sabia que poderiam me servir para os meus trabalhos. Foi então que acabei encontrando no fórum Blender Brasil um anúncio de um curso de Blender que ia começar em uma semana, à 20 minutos andando da minha casa.

Apesar do curso ser básico, com ele eu aprendi algumas coisas importantes:

Entendi que é muito mais prazeroso estudar/aprender quando não se está sozinho. Além do prazer inato de se estar acompanhado, o estímulo proveniente de ver as pessoas evoluindo junto contigo não tem preço.

A partir deste momento surgiu a idéia de um Blog, e a oportunidade de começar a compartilhar minhas experiências e progressos. Queria tentar retribuir para “o mundo” um pouco da ajuda e suporte que eu encontrei. Queria mostrar que é possível um modo de trabalho diferente, uma ferramenta diferente, que por si só transmite uma menagem clara – um outro mundo é possível, plausível e para alguns já é uma realidade.

Seguindo em frente neste caminho, comecei a trabalhar usando outros programas para apresentação (SketchUp, VRay) mas eu insistia em usar o Blender sempre que fosse possível. Cada vez que eu consegui usá-lo profissionalmente, me enchia de alegria, e eu desejava mais e mais usá-lo como a minha principal ferramenta de trabalho.

O passo seguinte foi prestigiar a BlenderPRO 2007. O primeiro encontro nacional de usuários de Blender foi para mim uma prova de que isso tudo estava valendo apena. Encontrar gente de diferentes partes do país com os mesmos interesses em comum é uma experiência de tribalização única. Tenho certeza de que cada vez mais este evento vai amadurecer e ajudará mais gente a fazer parte desse movimento.

Finalmente cheguei ao ponto que eu queria chegar, e espero que não tenha sido cansativo acompanhar.

Hoje eu realizei um sonho de 10 anos atrás, eu fui contratado para trabalhar num projeto usando basicamente o Blender.

Mais do que isso, é um trabalho que vai demandar de mim tudo o que eu já aprendi até agora e vou aprender mais e mais trabalhando com a equipe.

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Em breve vou escrever em mais detalhes sobre o projeto, mas queria deixar aqui um registro do quanto foi importante estar cercado de pessoas tão boas e generosas ao longo da minha vida e de minha formação.

Obrigado a todos vocês!

Obrigado ao Augusto Praguer pelo curso de Blender. A Anderson e Marco Antônio pela parceria no primeiro Blog. A Cícero Moraes e Yorik pela inspiração e referência de um caminho profissional com o Blender, por compartilhar suas experiências e pela amizade. A Cláudia Alencar e Léo Bungarten, meus primeiros chefes, por acreditarem em mim, me incentivarem a perseguir meus sonhos, pela experiência, e pela liberdade de trabalho que me permitiu dar meus primeiros passos profissionais usando o Blender. A Luis Retondaro por tornar a BlenderPRO realidade. A Mike Pan, Stephen Danic e Sherman Lai por me receberem tão bem e me convidarem para fazer parte do projeto. A Juliana por acreditar em mim, e me mostrar que acreditar nos sonhos é o primeiro passo para mudar o mundo. Obrigado. A minha família, pai, mãe e irmãos, por me empurrar para frente e me apoiar de um jeito tão especial. Obrigado ao Leo Yalom por desbravar este continente e me inspirar a cair no mundo também. Ao Humberto, por me mostrar que vale qualquer sacrifício para perseguir um sonho, e servir de braço direito nesta minha empreitada pelo inglês.

Existem milhares de outras pessoas que foram muito importante para que eu chegasse aonde eu estou hoje, mas para manter o escopo deste Blog, vou terminar deixando um agradecimento a todos que visitam este espaço, e especialmente para os que deixam aqui suas pegadas. Obrigado Filipe , Gustavo, Henrique, Poppe, Larissa, Yorik, Nina, Jaqueline, Cicero, Luci, Juliano, Danillo. Obrigado Ganon, pelo link no seu site 🙂 Podem ter certeza de que todo sinal de vida e de apoio que eu recebo é importante para eu continuar este projeto.

Obrigado por toda a ajuda e apoio, e até breve.

Dalai Felinto

10 de Maio de 2008

Alguns links informativos explicando parcialmente o projeto em que estou envolvido em inglês:

http://www.blendernation.com/2008/04/09/fish-population-data-visualisation-internships-at-great-northern-way-campus-vancouver/

http://mpan3.homeip.net/perma/0805122213_What_I_am_up_to

http://mdm.gnwc.ca/?q=blog/20080415/fishy-radio

E um artigo que o Allan Brito postou no blog dele:

http://www.allanbrito.com/2008/05/16/blender-game-engine-usada-na-simulacao-ecossistemas-marinhos/

Parece que cada vez mais o Blender está ganhando mais adeptos. Um dos fatores que contribuem para isso (além da excelente qualidade do programa e do seu custo/beneficio) é a disponiblidade de materiais didáticos.

Este tipo de material serve como referência para quem está estudando Blender e de quebra ainda serve como material de divulgação do Blender.

Com este pensamento em mente, uma equipe de artistas de Minas Gerais resolveu começar um projeto de um curta-metragem feito com o Blender. O projeto é um open-movie, ou seja, será disponibilizado na internet junto com todo o seus arquivos, para ser estudado livremente.

O nome do projeto é Paper Orange, e tive a oportunidade de entrevistar a equipe que está trabalhando nele. Se você entende inglês não deixe também de conferir o site deles – http://detaillibrary.blogspot.com – Se você não entende dê uma olhada lá do mesmo jeito, os estudos disponíveis estão bem legais.

parte 01 da entrevistaparte 02 da entrevistaparte 03 da entrevista

ENTREVISTA 03 de 03 – Filipe S. Dilly:

De onde você é?

Basicamente somos todos de BH/MG mesmo. Nem preciso entrar em detalhes porque o Damasceno e Daniel já responderam isso muito bem.

Como você começou a trabalhar com o Blender?

A 6 anos atrás eu já estudava por conta própria 3d (Bryce5 e TrueSpace e antes ainda 3dMax) mas quase como Hobby, queria mesmo é ser pintor… rs. Com o tempo fui aprofundando em 3d e gostando cada vez mais. Em 2004 surgiu a oportunidade de montar um curso de 3d na Escola de Artes Casa dos Quadrinhos so que eles estavam interessados no Blender. Foi ai que eu comecei a estuda-lo (usando material da internet e o “Manual 2.3”) e nunca mais parei. Aliás foi devido a isso que eu realmente aprendi 3d, pois passei a estudar grandes artistas e professores da CG 3d para montar o curso. O Curso já tem 2 anos de existencia e evolui em conjunto com o Blender – um exemplo clássico é a adição de composição digital via nodes – é muito interessante montar as aulas tendo em mente como o programa vai ser nas próximas versões (e isso também me ajuda e “força” saber as novas ferramentas antes delas sairem, as vezes até opinar e reportar Bugs sobre elas).

No geral os componentes do Grupo que usam o Blender ou estudaram no curso de “3d Blender” ou no de “Animação” (na qual o Daniel é professor e criador do curso). Como foi dito antes um dos motivos do projeto é ensinar e aprender mais sobre estes programas/técnicas.

O que você pensa sobre as oportunidades para quem quer trabalhar com o Blender no mercado nacional?

Acho que o Blender tem tudo que se precisa para um mercado como o Brasil (focado em Publicidade e Ilustração). Na verdade acho que ele já tem mais do que se precisa. O problema é que ainda tem muita gente por aqui que não o conhece e nós não temos tantos artistas que o usam. Isso dificulta montar um estúdio apenas com artistas usando Blender. Apesar disso, o Blender é muito modular e possui muitas ferramentas (como Composite e Sequencer) que poderiam facilmente ser usadas em conjunto com outras. Ou mesmo modelar e fazer o Unwrap apenas no Blender…
Em fim, o real ponto é que o que interessa mesmo é qualidade do trabalho, se ele é feito no Blender não acho que realmente importa. Existem casos de “xenofobia” por parte de alguns estúdios, mas também existem casos onde um artista que usa Blender foi contratado simplesmente pelo seu trabalho e se observarmos alguns fóruns isto está ficando cada vez mais comum.

Como surgiu este projeto?

Para mim o projeto serve para trabalhar. É isso mesmo. Trabalhar em algo que me dê prazer e que depois de muito prazer nas pessoas que assistirem e usarem do projeto como aprendizado (ou coisa do tipo). E é uma oportunidade irrecusável trabalhar com esse grupo, são pessoas extremamente talentosas e criativas, dou muitas risadas com elas. O resultado disso tem se mostrado realmente contagiante e a qualidade do projeto cresce a cada passo concluído ou iniciado.
Essa é uma idéia bem pessoal sobre a coisa.

Quais são seus próximos projetos?

Olha, é tanto “pepino” para resolver neste projeto, que eu tenho medo de perguntar para os outros dois (Damasceno e Daniel) sobre quais são suas ideias para o próximo… Então por enquanto eu vou ficar “só” com esse no horizonte. (risos)

Você sugere algum caminho específico para quem está querendo trabalhar com 3D e/ou animação?

Sim. Não fique apenas no 3d. Estude de tudo que puder: Desenho, Pintura, escultura, Fotografia, Design… Seja uma pessoa observadora. Pois o que garante um bom resultado é muito mais seu conhecimento nestas outras coisas que conhecimento sobre 3d em si.

Você tem alguma mensagem para quem está começando no Blender?

Se a interface te chateia, resista, depois fica tão natural quanto andar. Ela não é ruim como alguns dizem, é simplesmente diferente do padrão… E como muitas outras coisas o “padrão” ou “comum” nem sempre é o melhor.

Tem mais alguma pergunta que você gostaria de responder e eu não tive a criatividade de perguntar ?

Nope. 😛
Acho que é isso mesmo. Já escrevemos por demais. (risos)

Muito Obrigado pela oportunidade e interesse no nosso trabalho. Até mais.

Filipe S. Dilly

“Produtor-Executivo-Chefe-do-departamento de Tecnologia-co-diretor” (de acordo com o Damasceno e Daniel, 😛 )

Bem, com esta entrevista concluímos esta série.

Muito obrigado a toda a equipe do Paper Orange pela abertura e pela qualidade do trabalho. Tenho certeza de que será um marco na produção nacional com o Blender. Uma prova disto é a qualidade do curta Snakes Can Fly (Cobras podem voar), feito por parte da mesma equipe deste projeto, como vocês podem conferir aqui:


Snakes Can Fly – Blender Ad from detail library on Vimeo.

Boa sorte a vocês e bom trabalho,

Dalai

Leia também a primeira e a segunda partes da entrevista.

Parece que cada vez mais o Blender está ganhando mais adeptos. Um dos fatores que contribuem para isso (além da excelente qualidade do programa e do seu custo/beneficio) é a disponiblidade de materiais didáticos.

Este tipo de material serve como referência para quem está estudando Blender e de quebra ainda serve como material de divulgação do Blender.

Com este pensamento em mente, uma equipe de artistas de Minas Gerais resolveu começar um projeto de um curta-metragem feito com o Blender. O projeto é um open-movie, ou seja, será disponibilizado na internet junto com todo o seus arquivos, para ser estudado livremente.

O nome do projeto é Paper Orange, e tive a oportunidade de entrevistar a equipe que está trabalhando nele. Se você entende inglês não deixe também de conferir o site deles – http://detaillibrary.blogspot.com – Se você não entende dê uma olhada lá do mesmo jeito, os estudos disponíveis estão bem legais.

parte 01 da entrevistaparte 02 da entrevistaparte 03 da entrevista

ENTREVISTA 02 de 03 – Daniel Pinheiro:

“Minha vez, minha vez! Cara isso vai ser divertido, até parece uma daquelas coisas que tem no bônus do DVD.”

De onde você é?

Eu sou de Belo Horizonte e atualmente moro em Contagem que é região da pequena Grande BH. O Dilly é de BH, o damasceno é de formiga… mas todo mundo se encontra no mesmo Café em BH.

Como você começou a trabalhar com o Blender?

Eu acho que foi quando meu irmão me mostrou um Linux pela primeira vez. Fiquei fuçando naquilo para ver se tinha alguma coisa que servisse para desenhar ou animar, por acaso tinha uma versão do Blender instalada. De lá pra cá eu fui gradualmente preferindo o blender para realizar algumas tarefas até chegar o ponto onde estou

atualmente onde trabalho praticamente com a dobradinha Gimp+Blender.

O que você pensa sobre as oportunidades para quem quer trabalhar com o Blender no mercado nacional?

Eu sempre acreditei que as chances de trabalho são iguais para os profissionais que utilizam qualquer software,acho que na área de produção visual a qualidade é o principal diferencial, mas quem trabalha com blender pode sempre falar “eu fiz isso em um software livre,” e arrancar um tanto de “é mesmo? nossa!”.

Como surgiu este projeto?

O projeto surgiu da necessidade de aprendizado pessoal e vontade de um pequeno grupo de pessoas que felizmente tem contaminado outras.

Também gosto de dizer que o projeto surgiu para termos uma desculpa semanal para tomar cafe e encontrarmos pra conversar e nos divertir.

E quais seriam os objetivos:

Acredito que os três principais objetivoas do projeto são:

1- Evoluirmos pessoalmente como profissionais (o lance do aprendizado)

2- Produzir uma peça de entretenimento de forma independente (aqui

entra o software livre como um aliado poderoso)

3- Se divertir bastante no processo todo.

Quais são seus próximos projetos?

Meu próximo projeto é o próximo curta, mas eu tento evitar ao máximo pensar qualquer coisa sobre o filme seguinte para não atrapalhar a produção do atual. Eu até criei um arquivo de texto que serve como geladeira de idéias.

Você sugere algum caminho específico para quem está querendo trabalhar com 3D e/ou animação?

Acho que para quem quer trabalhar com 3D, tem que aprender um pouco de como funciona a coisa toda e especializar na área de maior interesse, shading, iluminação, modelagem… essas coisas. Inclusive acho que foi o Dilly que me disse isso.

Quanto animação, é uma dessas coisas que você tem uma idéia e vai fazendo, uma hora fica pronto.

Você tem alguma mensagem para quem está começando no Blender?

Eu estou realmente feliz de ter conhecido e optado trabalhar com esse programa. Ele deixa meu trabalho bem mais fácil.

Tem mais alguma pergunta que você gostaria de responder e eu não tive a criatividade de perguntar?

Talvez eu perguntasse “E aí quando fica pronto o filme?” ou “Quando é a estréia?”.

A resposta para essa pergunta seria algo “assim que a gente conseguir.”

Daniel Pinheiro

“Co-diretor-co-roteirista-storyartist-animador-de-plantão-desenhista-que-reclama.”


Paper Box tests from detail library on Vimeo.

Em breve a terceira parte da entrevista.

Abraços,
Dalai

parte 01 da entrevistaparte 02 da entrevistaparte 03 da entrevista